quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Por quê amamentar em livre demanda?





Amamentar em livre demanda significa que a frequência e duração das mamadas serão determinadas pelas necessidades e pelos sinais de fome do bebê, assim como da percepção da mãe como mamas muito cheias.
Não existe intervalo determinado para as mamadas acontecerem. Muitas mães acreditam no conceito de que o bebê precisa ser alimentado a cada 3 horas e por suas vez muitos pediatras passam esta informação acreditando que assim, o bebê criará sua rotina. Porém, horários pré determinados não trazem benefícios para mãe e bebê, tornam a amamentação cheia de regras e o pior, não beneficiam seu filho.
A frequência e duração da mamada varia entre os bebês e até mesmo no decorrer do dia do mesmo bebê, dependendo do seu momento. Observe se o bebê após mamar, apresentou os sinais de que está bem alimentado como largar o peito espontaneamente e se você sente suas mamas mais leves.
Benefícios da amamentação em livre demanda:
·         Menor perda de peso nos primeiros dias;
·         Apojadura mais precoce;
·         O tempo de duração da amamentação é maior;
·         Melhor níveis de glicose no bebê;
·         Diminui os casos de icterícia;
·         Previne o ingurgitamento mamário e mastite;
·         Melhora a produção de leite, mantendo-a adequada às necessidades do bebê.
Bebês que mamam em livre demanda aprendem a reconhecer seus sinais de fome e saciedade. Essa capacidade de autorregulação pode estar relacionada a menores taxas de obesidade em crianças amamentadas.
No início da amamentação as mães têm dificuldade em identificar quando os bebês choram de fome e por outros motivos. Acredite que com o passar dos dias você aprenderá os reais motivos do choro do seu bebê e siga o seu instinto materno.

Iniciativa Hospital Amigo da Criança




A iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC), é um programa de incentivo ao aleitamento materno, idealizada pela OMS e UNICEF em 1990, Florença, Itália, com a participação do Brasil.
A estratégia foi idealizada para apoiar, proteger e promover o aleitamento materno. O objetivo básico consiste na mobilização de profissionais de saúde, funcionários de hospitais e maternidades para mudanças em rotinas e condutas, visando prevenir o desmame precoce, decorrente do desestímulo ao aleitamento relacionados a informações errôneas e falta de orientação adequada.
Para esta finalidade, criou-se os "Dez passos para o sucesso do aleitamento materno", um conjunto de metas elaborado por um grupo de especialistas em saúde e nutrição.

Passo 1: Ter uma norma escrita sobre aleitamento materno, que deve ser rotineiramente transmitida a toda a equipe de saúde.
As normas são necessárias para que a equipe toda tenha os mesmos conhecimentos e proncípios

Passo 2: Treinar toda a equipe de cuidados de saúde, capacitando-a para implementar esta norma.
A conscientização e capacitação dos profissionais de saúde envolvidos no nascimento e início do aleitamento materno é o passo inicial e fundamental para as boas práticas na amamentação. São esses profissionais que estarão junto com as mães no momento crucial para o sucesso do aleitamento.

Passo 3: Informar todas as gestantes sobre as vantagens e o manejo do aleitamento.
Saber os benefícios do aleitamento materno, ainda durante a gestação, propicia que a gestante possa se informar e se empoderar de informações que serão muito valiosas no momento da amamentação.
O conhecimento faz com que a mãe encare os desafios da amamentação com mais tranqüilidade, assim como saber os benefícios para mãe e bebê do aleitamento encoraja ainda mais a seguir em frente e superar os obstáculos iniciais.

Passo 4: Ajudar as mães a iniciar a amamentação na primeira meia hora após o parto.
O contato precoce pele a pele entre mãe e bebê e a sucção nas mamas provocam aumento da liberação de Ocitocina (hormônio responsável pela descida do leite, auxilia na contração do útero no pós parto entre outros benefícios).
Neste momento o bebê apresenta uma sucção mais eficaz é maior habilidade para aprendizagem olfatória e sua memória olfativa, o que contribui para o maior êxito da amamentação, é maior duração do aleitamento.

Passo 5: Mostrar às mães como amamentar e como manter a lactação, mesmo se vierem a ser separadas de seus filhos.
Os primeiros dias após o parto são fundamentais e o apoio de um profissional capacitado é fundamental para o sucesso da amamentação. Inicialmente as mães sentem-se inseguras e cheias de medos, tudo é muito novo.
A amamentação é um processo de adaptação e aprendizagem para mãe e bebê.
O profissional capacitado tem a função de ensinar, orientar as mães a amamentar, corrigindo pequenos erros que tornarão esse momento mais simples, menos desgastante e que por vezes se tornam até frustrante.

Passo 6: Não dar a recém-nascidos nenhum outro alimento ou bebida além do leite materno, a não ser que seja indicado pelo médico.
Oferecer outros alimentos e líquidos diminui a ingestão de leite materno, o que é desvantajoso para a criança, já que muitos alimentos e líquidos oferecidos às crianças pequenas são menos nutritivos que o leite materno.
Além de correr o risco da confusão de bicos, se o líquido for oferecido em mamadeira.

Passo 7: Praticar o alojamento conjunto – permitir que mães e bebês permaneçam juntos 24 horas por dia.
O contato mãe e bebê após o nascimento favorece o vínculo afetivo e possibilita que a amamentação ocorra de forma natural. Mãe e bebê juntos mamam em livre demanda!

Passo 8: Encorajar o aleitamento sob livre demanda.
Amamentar em livre demanda é fundamental para o sucesso do aleitamento materno, para que a mãe tenha leite suficiente e o bebê ganhe peso adequado. Após certo período o bebê cria a sua rotina. Siga os sinais do seu corpo e do seu bebê.

Passo9: Não dar bicos artificiais ou chupetas a crianças amamentadas no seio.
O uso de bicos artificiais são um dos grandes responsáveis pelo desmame precoce.
Algumas crianças após utilizarem a mamadeira, passam a apresentar dificuldade quando vão mamar no seio materno, devido a diferença marcante entre a maneira de sugar na mama e na mamadeira. Nesses casos, é comum o bebê começar a mamar no peito, porém, após alguns segundos, largar a mama e chorar. Como o leite na mamadeira flui abundantemente desde a primeira sucção, a criança pode estranhar a demora de um fluxo maior de leite no peito no início da mamada, pois o reflexo de ejeção do leite leva aproximadamente um minuto para ser desencadeado e algumas crianças podem não tolerar essa espera.
Confira um texto sobre Confusão de bicos.

Passo 10: Encorajar a formação de grupos de apoio à amamentação para onde as mães devem ser encaminhadas, logo após a alta do hospital ou ambulatório.
No momento em que tudo é novo e as mães sentem-se inseguras, achando que tudo de errado acontece com ela, conversar com mães que passaram e passam pelas mesmas dificuldades as faz enxergar que tudo é natural e esperado.
E o melhor de tudo, descobrem que todas as mães superam as dificuldades!
Os grupos de apoio fortalecem no momento da dificuldade!

A mulher trabalhadora e a prática de amamentar





Amamentar é um direito de toda a mulher e de toda criança, e com a mulher trabalhadora não poderia ser diferente, a sociedade deve garantir esse direito.
Sabemos que a realidade nem sempre condiz com o ideal e muitas vezes as leis não são cumpridas como deveriam.
A OMS recomenda o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de vida e a partir daí que a criança continue a ser amamentada, além de receber outros tipos de alimentos, até pelo menos o segundo ano de vida. Essa recomendação foi acatada pelo Brasil entre outros países, em 1990, em Florença, Itália, quando 31 representantes de governos e outros participantes de agências internacionais elaboraram a Declaração de Innocenti.
A Declaração de Innocenti preconizava quatro ações fundamentais para se implementar o aleitamento materno, em resumo:
1.       Ter uma coordenação social;
2.       Implementar a IHAC (Iniciativa Hospital Amigo da Criança);
3.       Adotar e respeitar o Código;
4.       Proteger a mulher trabalhadora que amamenta.
No Brasil, somente a mulher empregada com contrato de trabalho formal tem direito aos benefícios da legislação. As demais, submetidas a trabalhos informais, precisam provar a relação de trabalho para conseguirem os benefícios.

Licença Maternidade
Ainda é alvo de muitos questionamentos quanto tempo e quando se deveria iniciar a licença maternidade. Problemas de saúde podem acometer as gestantes no final da gravidez, as impossibilitando na execução de suas atividades, o que pode gerar a necessidade de iniciar a licença antes do nascimento do bebê.
Partindo do princípio que a OMS recomenda 6 meses de aleitamento materno exclusivo, este seria o período ideal de licença maternidade.
Foi aprovada a Lei nº 11.770, de 9 de Setembro de 2008, que permite às empresas dar a licença maternidade por seis meses, porém vários são os detalhes dessa lei que são necessários conhecer para orientar a gestante. Sugiro que ao engravidar as gestantes procurem um advogado para as orientarem. Diversos órgãos públicos, prefeituras, estados já dão esse benefício às suas funcionárias.


Art. 389, IV, § 1.º da CLT – Os estabelecimentos que trabalham pelo menos com 30 mulheres com mais de 16 anos de idade terão local apropriado onde seja permitido às empregadas guardar sob vigilância e assistência os seus filhos durante a amamentação.
Art.1.º Ficam as empresas e empregadores autorizados a adotar o sistema de reembolso-creche, em substituição à exigência contida no, § 1.º do Art. 389 da CLT.
A exigência do § 1.º pode ser suprida por meio de creches distritais mantidas por convênio ou outras entidades públicas e privadas, pela empresa ou cargo do SESI, SESC ou entidades sindicais.

As pausas para amamentar
Desde 1919 as interrupções para amamentar já se viam necessárias. Hoje se acredita que em uma jornada de 8 horas, dois intervalos de meia hora cada mais a pausa para o horário de refeição no meio da jornada, são suficientes para que a lactação seja preservada. Isso se torna viável quando o bebê está em uma creche no local de trabalho ou através de uma sala de apoio à amamentação, permitindo que a mãe ordenhe o leite e o armazene em local apropriado para o transporte até o seu domicílio e posteriormente oferecer ao bebê.
Essas pausas podem ser organizadas em uma hora no início ou no final da jornada para aquelas mulheres que residem muito longe.
As pausas para amamentar ou extrair leite devem durar mais 6 meses após o término da licença maternidade, permitindo assim a continuidade da amamentação com os alimentos complementares que são iniciados após os seis meses de idade.

Situações especiais
Mães adotivas: A Lei de Adoção, número 10.421, de 15/04/02, estende às mães que adotam crianças, licença maternidade de duração proporcional à idade da criança adotada, quanto menor mais tempo, com o período máximo de 120 dias para crianças menores de 1 ano.
Mães de prematuros: está tramitando no congresso nacional uma lei que permitirá a mãe de bebê prematuro um tempo de licença maternidade mais amplo, levando em consideração a idade gestacional no momento do parto, para apenas iniciar a contagem de 120 dias depois que o bebê já nascido, completar 40 semanas de idade gestacional. Os bebês prematuros não podem ser tratados como os que nascem a termo (a partir de 37 semanas de gestação), pois eles precisam terminar seu amadurecimento depois de nascidos. Grande parte desse período eles passam em uma UTI neonatal, dentro de uma incubadora, separados dos pais, sem muitas vezes sentir o aconchego materno. A Lei do prematuro permitiria que o contato entre mãe e filho se prolongasse.
Embora nem sempre seja fácil requerer seus direitos, toda mãe deve ter conhecimento da legislação que beneficia a manutenção do aleitamento materno. Para isso, é necessário que a sociedade encare amamentação como um direito e coloque em prática as leis e benefícios favoráveis a essa prática. 

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Semana Mundial do Aleitamento Materno 2015 - 01 a 07 de Agosto


A Waba (Word Alliance for Breastfeeding Action) apoia nesta Semana Mundial de Aleitamento Materno, o Tema: Breastfeeding and work: Let’s make it 
work (Amamentação e trabalho: Vamos fazer funcionar).
O tema apela uma ação global para apoiar as mulheres que amamentam e trabalham. Independente da sua forma de trabalho, formal, informal, em casa ou em alguma empresa, ela precisa ter o direito de continuar am
amentando seu bebê. A ação global sobre tema semelhante aconteceu em 1993, com muitas melhorias com ações em diversos países para melhorar as legislações e práticas sobre o assunto. 22 anos após, ainda resta muito a ser feito. A legislação existe mas há um longo caminho para que a lei e o direito de amamentar possam ser exercidos pelas mães de forma adequada.
Com a SMAM 2015 (Semana Mundial de Aleitamento Materno), a WABA e seus parceiros visam capacitar e apoiar todas as mulheres, que trabalhem formal ou informalmente, a adequar o trabalho com a criação dos filhos, especialmente a amamentação, através de metas de curto e longo prazo.
Segundo a WABA, para que uma mãe possa trabalhar e amamentar existe três pilares fundamentais: Tempo, espaço e suporte.
Tempo:
  1. 6 meses de licença maternidade remunerada para que a mãe possa oferecer aleitamento materno exclusivo;
  2. Licença maternidade remunerada adicional para mães de prematuros ou crianças que necessitem internação hospitalar adicional, podendo continuar a oferecer o leite materno;
  3. Uma ou mais paradas, ou redução da jornada de trabalho para amamentar;
  4. Horário de trabalho flexível para amam
  5. entar ou ordenhar leite materno.
Espaço/ Proximidade:
  1. Ter uma creche na empresa ou próxima do local de trabalho, assim como transporte para as mães;
  2. Facilidade e privacidade para que as mães possam ordenhar e estocar leite materno, com sala de ordenha ou um espaço perto do emprego;
  3. Um ambiente limpo livre de resíduos químicos.
Suporte:
  1. Informações sobre as legislações nacionais e benefícios maternos;
  2. Suporte dos empregadores, gestores e colegas de trabalho com atitudes positivas em relação à gravidez, maternidade e amamentação;
  3. Informações sobre a saúde da mulher, durante a gravidez e lactação de forma que possam ter melhor conciliação entre trabalho, amamentação e criação dos filhos;
  4. Suporte dos trabalhadores ou sindicatos;
  5. Segurança no trabalho e não descriminação em relação a maternidade e amamentação.